Há um bom tempo eu fiz um post lembrando de capas de caderno da nossa infância, e achei que seria interessante lembrar de outros materiais escolares também, porque, afinal de contas, a única coisa legal de voltar as aulas era justamente o passeio na papelaria para comprar os novos materiais e sentir aquela pequena esperança de ganhar uma dessas coisas.
Na quinta série duas coisas mudaram, a primeira é que a gente passou a poder usar caneta, assim como os professores, o que foi quase uma libertação. A segunda é que podemos usar fichários, que eram basicamente pastas com argolas que não ofereciam absolutamente nada que um caderno já não oferecesse, além de ocupar mais espaço, e mesmo assim, a gente aos onze anos achava incrível e se sentia um executivo em poder usar um desses, e canetas. Numa época em que a gente achava legais coisas que hoje parecem tão banais como os antigos cadernos de enquete, fichários eram uma relíquia.
E olhando para trás, eu me lembro de todas as vezes que eu tinha que ver o Robertinho (nome fictício), o menino mais bonito da sala (diziam) ostentando com seu belo sozinho (é sério, as pessoas que diziam, não eu!) a caixa de lápis de 64 cores que sua família com dinheiro conseguiu prover a ele. Eu posso apostar tudo que ele nunca usou pelo menos quarenta daqueles lápis, e o lápis branco com certeza não usou também, nem devia saber para que ele serve! Mas todo mundo via aquilo como a coisa mais incrível do mundo, ter aquilo era mostrar que tinha dinheiro, hoje em dia acho que deve ser preciso levar um iphone na escola ou coisa assim, talvez um kinder ovo?
Mas tem um nível ainda mais alto disso que eram aquelas maletas de arte que vinham um monte de lápis de cor, mais um monte de canetinhas hidrocor, mais um monte de giz de cera, enfim, o verdadeiro kit do artista mirim que onde eu sei nunca foi responsável por ajudar a formar nenhum Monet da era moderna, mas mesmo assim era a sensação na escola e era algo que conseguia dar status para uma criança naquele ambiente socialmente selvagem que era a escola.
E por fim, as famosas canetas de gel com cheiro. E eu tenho uma lembrança bem particular disso primeiro porque eu provavelmente era o único menino que gostava dela que não queria beijar outros meninos, mas também porque teve uma época em que diziam que essas canetas eram feitas para causar vício químico com o cheiro, o que falando hoje é quase ridículo considerando a hegemonia dos vapes entre adolescentes. E se você não sabe o que é isso, agradeça. Mas sei que alguns também tem cheiro de frutas que nem essas canetas tinham. Acho que acabo de descobrir de onde saiu a idéia! rs
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